Primeira Espiadinha: Por Trás Da Escrita

Jess & Frank.

Jess & Frank.

Depois de tanto enrolar pra engatar no meu projeto literário posso dizer que agora estou realmente escrevendo e pensando sobre meu livro. A história eu ja tenho montada, apesar de estar apenas nos primeiros rascunhos e ter que resolver alguns furos de enrendo, coisa super normal na escrita de um livro. Eu gostaria de escrever uma sinopse explicando a história mas acho que não sei escrever uma sinopse que não revele tudo da história, as partes importantes.

Gente, veja bem. Eu tenho todo o arco da história na minha mente mas na hora que eu penso em escrever a sinopse fico na duvida se não estou revelando detalhes demais sobre meu livro. Então vou meio que tentar fazer uma sinopse bem simplista, para que ninguém fique sem saber do que se trata.

A trama gira em torno de Jess, uma garota que trabalha numa lanchonete e tem como melhor amiga Lana, uma mulher extrovertida e que não tem papas na língua. A cada dia Lana aparece com um namorado novo, ou namorada. Apesar dos vários alertas de Jess pra tomar cuidado com quem se envolve, ela não a leva muito a sério; o que pode fazer com que ela se meta em enrascada depois.

A vida delas segue bem até que um dia entra na lanchonete, Frank um homem muito tímido que instantaneamente se apaixona por ela: Jess, a garota dos olhos cinzas e cabelos pretos. Mesmo com vergonha ele investe nela e depois de um tempo consegue ganhar a sua amizade. Mas será que ele ainda a verá do mesmo jeito quando souber do seu passado? Será que ele vai demonstrar uma prova de amor por ela quando o seu passado vier a tona e abocanhar a vida dos que estão próximos dela? A resposta se encontra em Jess & Frank.

Isso é o que eu resumi do resumo mental que contava muitos segredos que acho que não é bor revelar na sinopse logo de cara. Para aguçar um pouco sua curiosidade deixo aqui um pequeno trecho do primeiro capítulo. Deixo claro que é apenas um rascunho, portanto ainda tem algumas coisas que provavelmente serão mudadas. Qualquer dica será muito bem vinda, tenho dúvidas na descrição do cenário, personagens, leiam e diguem o que acharam. Segue o pdf também do Projeto A Lanchonete.

Primeiro Capítulo

Estacionei o carro na ampla vaga do estacionamento da lanchonete sem muita dificuldade. Era inicio da manhã, por volta das 8 horas, horário bem agradável para tomar um bom café da manhã, sem correria e rebuliço típico da hora do almoço. O céu estava bastante límpido e azul, o Sol acolhia cada espaço do ambiente e o esquentava como um cobertor quente num dia de frio intenso, os pássaros brincavam de voar e cantar sem o menor compromisso.

Olhei pelo retrovisor para ver se alguém havia me seguido – desde que vi um documentário na TV, O Perigo da Surpresa, vivo me vigiando – e felizmente não havia ninguém suspeito, apenas uma senhora saindo da Starbucks do outro lado da rua.

Desci do carro, e fui andando em direção a lanchonete The Five On Star com uma grande porta em formato de jukebox. Essa aparenta ser uma lanchonete inspirada nos anos sessenta. Talvez venha mais vezes, se a comida for boa.

Empurrei a porta e entrei, talvez com muita ânsia, todos olharam para mim. Todos me olhando com olhar de desaprovação, ou rindo da minha cara, e eu suando igual a um pastel frito pingando óleo. Abaixei a cabeça indo até uma mesa no canto esquerdo perto da janela. A decoração podia até ser bonita mas agora não passava de tragavel. Era possível notar algumas rachaduras na parede, manchas no chão, quadros e enfeites quase empoeirados, e o balcão que ficava no lado direito, aonde se fazia pedidos e que mostrava um pouco da cozinha, já estava aparentando um certo desgaste.

Ratos, baratas… Não! Não tem!

Peguei o cardápio que estava sobre a mesa e comecei a folhear, procurando o que pedir. Levantei o polegar meio distraidamente, pronto para fazer meu pedido, mas ante que pudesse balbuciar a primeira sílaba ela apareceu. A mulher mais bonita que ja vi na vida, com os cabelos pretos que reluziam e se balançavam com a leveza da água, os olhos mais cinzas e profundos que já presenciei, com os lábios vermelhos de batom, mas nada muito provocador ou promíscuo e…

– Senhor, queira por favor dizer o que deseja senão não poderei servi-lo. – disse parecendo corroída por dentro ao soltar as palavras. E percebi ao meu desgosto que estava com a boca aberta feito uma criança ao ver um carro de sorvete.

– Sim, claro. É… Um café… – caramba, acabei de ver meu pedido e já esqueci – e um pão com geléia. Por favor. – disse tentando não parecer tão idiota quanto estava me sentindo. “Burro… Café e pão com geléia. Poderia ter pedido algo mais substancial.” Ela anotava com atenção.

– Só isso, senhor? – disse daquela mesma forma sem vida como atendentes insatisfeitos com o trabalho.

Fiz que sim com a cabeça. Ela se foi, e deixou um leve rastro de perfume. Bem leve, é proibido o uso de qualquer coisa aromatizante em ambientes com comida. Se bem que não duvido nada que na cozinha há coisas piores do que um leve rastro de perfume.

Observei-a até pendurar meu pedido com um prendedor num varal de pedidos e sumir por uma portinha. Ainda estava extasiado com aquela beleza, com certeza ela era de parar o trânsito. A prova disso… Ela parou o tráfego do sangue ao meu coração.

– O senhor ja foi atendido? – disse uma moça loira dos cabelos curtos, com um sorriso largo e exaltando felicidade e simpaticidade.

– Sim… é, sim. – olhei para ela rapidamente, voltando o olhar para a mesa.

– Então, tenha um bom café da manhã. – disse dando meia volta e atendendo outro cliente numa mesa próxima. Era bonita, e parecia ser bem divertida.

Depois de uns dez minutos meu pedido chegou, trazido pela moça loirinha. Agora menos extasiado pude ver que ela tinha um pequeno crachá com o nome dela em sua roupa. Forcei um pouco a vista e pude ler Lana. Ela me serviu cuidadosamente, enquanto eu tentava achar aonde a outra tinha se escondido. Como não sou bom em disfarçar, Lana percebeu:

– Esquece, ela não se liga nesses assuntos. Todos que tentaram chegar nela receberam palavras, digamos, bem deselegantes.

– Não… – disse tentando engana-la – Estou so olhando a decoração… É muito bonita. – forcei um sorriso, ela sorriu também, provavelmente não acreditando no que eu disse.