Resenha: Vovô Sem-Vergonha – Jeff Tremaine

 

Nunca fui muito fã dos filmes do Jackass que sempre achei bem tosco e idiota, com algumas cenas até divertidas mas que num conjunto todo pecava com a própria falta de noção, do perigo de certas brincadeiras. Também não acompanhei o programa da MTV, na verdade, assisti muito pouco a esse canal. Sempre ouvia os outros comentando de tal coisa e sempre boiava na conversa. Mas não sei porque quando vi o trailer desse filme achei bem interessante e resolvi dar uma chance pra ele.

O novo longa gira em torno de Irving Zisman, um senhor de 86 anos que perde a esposa e descobre que a filha voltará para a cadeia. Ele, então, é obrigado a começar uma viagem pelos Estados Unidos para entregar seu neto Billy para o pai. A partir daí, nos vemos diante de uma sucessão de esquetes, algumas muito divertidas e outras simplesmente sem graça. O humor exagerado e escatológico aparece em alguns momentos, mas com moderação. (Adoro Cinema. Escreva sua própria sinopse.)

Vai saber o porque de ter tido vontade de ver essa coisa, mas uma coisa eu sei: não foi perda de tempo. O filme não vai agradar a todos, principaklmente por seu conteúdo obsceno, depreciativo, e um tanto quanto besta. Mas como eu sou um besta de plantão, posso dizer sem vergonha nenhuma que adorei essa porcaria de filme.

Diferente dos exemplares Jackassianos ele tem um fio de trama; não é a coisa mais profunda que existe mas também não deixa de ser interessante. Cada cena é uma loteria de risadas, e por várias vezes ao londo do filme cliquei rewind para rever alguma piada memorável. E olha que sou difícil com filmes de comédia que não estavam mais me entretendo, me fazendo rir. Mas parece que agora essa maré está pra peixe. Depois que assistir Família do Bagulho só tenho tido ótimas experiências com filmes de comédia pastelão. Me faça rir que eu esqueço o quão sem noção é.

O Knoxville está muito bem caracterizado de vovô (sem verogonha) tanto na maquigem como na atuação. É demais ver ele deixando as pessoas encabuladas com sua falta de senso e semancol. Niccol consegue ficar mais do que tudo espetacularmente divertido, aquela criança que a gente queria ter por perto. Sua interação com o Knoxville é muito interessante e senti uma empatia muito grande por eles. Ele soube fazer direitinho seu papel e teve muitas cenas engraçadíssimas onde eu ri feito um besta.


 

Muitas cenas são tão birutas. Numa o vovô e seu neto entram num mercadinho e saem montando o seu lanche sem pagar nada, abrindo pacotes de pão, presunto, mostarda, achocolatados, na maior naturalidade. Ou em outra quando o Billy vai até uma loja de objetos sexuais e pergunta para a mulher se ela comprou aquela roupa na loja das vadias; me desculpe mas eu ri. E tem mais: quando Irving vai até uma boate – noite das mulheres – e fica paquerando as moças do local que só estão interessadas nos homens pelados dançando; e quando ele vai dançar (seminú) … senhor… a gravidade afeta demais.

É por essas e outras coisas – que você descobrirá assistindo – que recomendo essa falta de noção travestida de filme. Um bom filme de entretenimento puro e simples onde falta de vergonha impera e nos faz perguntar se esses seres não conhecem algo chamado rubor. As pessoas em volta não sabem se riem ou se chocam com as ações. A cena do menino no baile é uma clara referência à Pequena Miss Sunshine, só não sei se é bom para o garotinho se expor dessa maneira. Mas eu sei que dos dois prefiro o primeiro. Ja falei que rio por nada. E de nada. Sei que você gostou da minha resenha, então vai lá assitir essa porcaria – com qualidade.

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